Empresariado pode definir as eleições em Euclides da Cunha

Eleição se define com o “calor do momento”. Mas nem todo eleitor sabe disso, principalmente aquele mais “entusiasmado”. A primeira premissa só é válida quando se avalia um determinado contexto histórico, o momento atual da campanha eleitoral, as perspectivas sociais, as conjunturas políticas, leitura de oportunidade e o comportamento social. Não é uma matemática exata, pois não se trata de algo simples. Mas existe a Ciência Política que explica boa parte das ações políticas capazes de definir uma eleição.

Por não ser uma matemática simples, é importante excluir um quesito considerado relevante: a pesquisa eleitoral. Ela não é insignificante, mas deixou de ser um fator estatístico incontestável, principalmente nos últimos dez anos, quando os resultados divulgados mais parecem aberrações – o que não é, pois quando uma projeção não é acertada não significa que o instituto é ruim ou de má fé.

Cientifique-se que uma pesquisa eleitoral nada mais é que a tentativa de se obter de uma pequena fração de eleitores a representação do “todo” através de métodos e correlações científicos. Porém, ultimamente, os métodos e correlações científicos parecem não estar acompanhando as transformações sociais, o comportamento do indivíduo. Um exemplo disso é a projeção da eleição nos Estados Unidos da América, que, independentemente de quem seja o vencedor, passou distante da atual realidade.

Longe daquela turbulência, teremos no próximo domingo (15) as eleições municipais no Brasil, conforme novo calendário definido pelo TSE – Tribunal Superior Eleitoral. São 5.570 municípios e do Distrito Federal definindo, neste ano, o rumo de seus respectivos prefeitos e vereadores, atendendo a uma perspectiva popular. Para a maioria dos municípios, as eleições municipais ocorrem já no próximo domingo, já na capital Macapá, no estado do Amapá, o pleito eleitoral deve acontecer mais adiante. Em Euclides da Cunha, Bahia, tudo segue dentro do calendário, e a única indefinição é saber quem vencerá, visto que Fátima Nunes (PSD) e Luciano Pinheiro (PDT) disputam voto a voto. Pequinho Abreu (PT) se apresenta como terceira via e quer manter ativa a fidelidade com eleitores simpatizantes com a sigla.

Em Euclides da Cunha, essa eleição se assemelha a de quatro anos atrás, mas não com a mesma temperatura, e isso é difícil mensurar em virtude da pandemia do novo corona vírus (Covid-19). Então o “calor do momento” só é perceptível quando se observa os eleitores por partes.

Num contexto mais amplo, pode-se dizer que a eleição parece empatada no comportamento social, algo que ocorreu na última eleição municipal, a despeito de pesquisas eleitorais. Um fator decisivo da última eleição e desconsiderado por muitos foi o empresariado. E, novamente, o empresariado pode definir a próxima eleição. Por ora, a primeira impressão é que a quantidade de empresários de Euclides da Cunha é pequena, mas o cálculo não é apenas isso, pois estes possuem muita influência sobre seus colaboradores que confiam nas escolhas de seus líderes. Isso representa aproximadamente 1 mil votos.

Em 2016, boa parte do empresariado de Euclides da Cunha apoiou maciçamente a campanha de Luciano Pinheiro. Comerciantes de várias áreas apostavam que o então futuro gestor faria uma transformação significativa no setor comercial.

Quando se analisa o comportamento de boa parte do empresariado nas eleições 2020, parece que os anseios não foram atingidos conforme esperado, pois não há tamanha mobilidade pró Luciano Pinheiro. Por outro lado, não há um movimento maciço do empresariado em favor do grupo político liderado pelo deputado federal José Nunes (PSD), como ocorrera em 2016. Os que apoiam preferem se manter sem exposição.

Mas esse silêncio tem nome na política: eleitores ocultos, os mesmos que a tradicional mídia chama de “envergonhados” – o que de fato não é, porque os jornalistas costumam ignorar os fatos. Na realidade, os eleitores “silenciosos” preferem não se expor para não serem taxados por apelidos pejorativos espalhados no período eleitoral, bem como aquela divisão entre “bem” e “mal”.

Para muitos, essa eleição em Euclides da Cunha é até fácil de decidir, pois os dois principais concorrentes já mostraram seu trabalho.

O fato é que o lado em que o empresariado apostar em massa, mesmo sem exposição, será decisivo para definir o vencedor.

Lembre-se do tamanho dessa representatividade.

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