Seleção euclidense ganhou em campo, mas perdeu nos detalhes

Fotos: José Dilson Pinheiro


Formada por atletas experientes e alguns até com títulos consagradores dentro do Campeonato Intermunicipal de Futebol Amador, promovido há 61 anos, pela Federação Bahiana de Futebol, a performance da representação de Euclides da Cunha chamou a atenção de todo o meio esportivo amador da Bahia, pela sua longa invencibilidade, número de vitórias, gols assinalados, artilharia bem à frente de sua segunda seleção melhor colocada (Itamaraju), além de Santo Amaro e Itapetinga, que chegaram às fases das partidas semifinais; porém, com Euclides da Cunha, única seleção de todo o Sertão Baiano classificada e qualificada para disputar o título de campeã, pela primeira vez, já que por três vezes, nos últimos 16 anos, ficou com a taça de vice-campeã.

De todos os jogos que fez, empatou três vezes e perdeu apenas, em um, justamente, para Itapetinga, pelo placar de 1X0, quando a partida já se encaminhava para o final, e num dia 25 de novembro, de muita tristeza e dor para o povo euclidense, abalado pelo trágico acidente que vitimou músicos integrantes da Fanfarra do Educandário Oliveira Brito, numa fatídica manhã que precedia uma tarde de futebol da nossa seleção, que fora tomada de surpresa e abalada psicologicamente pela tragédia que ceifou vidas de jovens músicos fanfarristas, que também levavam a alegria e o incentivo de seus tambores, trompetes e trombones que reforçavam a bandinha oficial da seleção nos dias de jogos em que não estavam disputando uma competição, de acordo com o calendário da Liga Baiana de Fanfarras.

Ao longo do difícil campeonato, no primeiro jogo da fase semifinal, Euclides da Cunha amargava sua primeira derrota jogando fora de seus domínios. Ao retornar e superar o momento difícil daquela manhã e tarde de domingo (25), diretores, comissão técnica e atletas transmitiam confiança e a certeza de que no jogo de volta devolveriam o revés sofrido no jogo de ida, injetando ânimo e confiança na torcida euclidense e de várias cidades circunvizinhas, que em boas partidas de futebol costumam vir ao nosso estádio torcer pela nossa seleção, afinal, nossos bons vizinhos e amigos também se sentem representados nesses embates futebolísticos.

Tudo fora preparado de conformidade com o regulamento, normas e regras da FBF, entidade maior do nosso futebol estadual e promotora do maior campeonato de futebol envolvendo seleções amadoras do Brasil: arbitragem de prestígio nacional, segurança pública ostensiva e preventiva (PM 5º Batalhão,) Polícia Judiciária (25ª Coorpin), Guarda Civil Municipal (GCM), segurança particular, assistência médica para atletas e torcedores (ambulância com profissionais da saúde no estádio), emissoras de rádio da cidade, da região sisaleira, de Itapetinga, canais de TV Web, Sites e Blogs, redes sociais, etc., todo um aparato exigido para uma grande e decisiva partida de futebol.

Em mais uma tarde de homenagem às vítimas da Faneob, a seleção euclidense entrou em campo carregando faixas que lembravam a quem por várias vezes ajudou ao selecionado juntando-se à torcida na arquibancada, na animação com seus tambores e instrumentos de sopro.

Vestindo camisa branca por sobre o uniforme nº 2 (vermelho), com dizeres que lembravam nossa querida fanfarra - que também carrega em sua bagagem a nobre missão de divulgar Euclides da Cunha pelas cidades, grandes e pequenas do nosso estado, onde compete em sua modalidade específica, da mesma forma que a nossa seleção de futebol - nossos atletas, apoiados pelo prefeito Dr. Luciano Pinheiro, Judicael Dantas (Bezerrão) presidente da Liga Desportiva Euclidense, Léo Mota, diretor municipal de esportes, entre outros, sob o espocar de fogos de artifício, cantigas, batucada, “buzinaço” e fortes aplausos da fanática torcida que superlotou o estádio da municipalidade euclidense, foram recepcionados carinhosamente.

Afinal, Euclides precisava de uma vitória, com pelo menos dois gols de diferença para garantir o que seria mais uma disputa pelo título que tanto almejava e certamente vai continuar em busca desta taça de campeã, em 2019, pois terá sempre o apoio do Poder Público Municipal, que em outros tempos, não tão distantes, sempre faltou e era motivo de muitas reclamações por parte dos desportistas, esportistas e dirigentes, todos, sem exceção, inclusive este repórter, quando presidente da LDE, e do meu irmão, saudoso Dr. Zorildo Pinheiro, também presidente LDE, em outra gestão pública municipal, que pagamos tirando do nosso próprio salário, despesas que jamais foram ressarcidas,  para honrar compromissos da nossa seleção e o nosso próprio nome, situação bem diferente proporcionada pela atual gestão municipal, que tem apoiado também, outras modalidades de esporte atualmente praticadas em Euclides da Cunha: box, jiu jitsu, caratê, outros esportes de academia, ciclismo, motociclismo, apoio às escolinhas de futebol, torneios de futebol na cidade e no meio rural, entre outros.

Todos sabiam que Itapetinga, que tem a melhor defesa de todo o campeonato (bom goleiro e zagueiros altos e fortes), a menos vazada, faria um jogo mais precavido, mais na defensiva e tentando tirar proveito nos lançamentos de contra-ataque em bolas lançadas muito altas, que costumam enganar defensores no quicar da bola no chão ou na dividida com atacantes, lances que nos pareceu característicos, fruto de treinamento constante da representação visitante, pela repetição em todo o tempo de jogo.

A Euclides, restava apenas, ganhar e ganhar, até mesmo por uma diferença de um gol, que levaria a uma decisão por tiros livres diretos (penalidades), o que de fato aconteceu, depois de tentar por diversas vezes chegar ao gol adversário com chutes de dentro e de fora da grande área, que eram interceptados por zagueiros e até por lances de defesas difíceis, daquelas que a torcida coloca as mãos na cabeça e faz uuuuu..., praticadas pelo excelente goleiro Érik.

Mas, num lance de infelicidade de um atleta que compõe o meio de campo, numa saída de bola malsucedida, Henrique ganhou da zaga e abriu o marcador, placar que, se não nos interessava, pareceu não afetar muito o desempenho da nossa seleção, que continuou jogando bem; porém, sem fazer os gols que tanto precisava e assim terminou o primeiro tempo de jogo.
 

Nas arquibancadas, a pequena torcida fanática de Itapetinga vibrava com o resultado, enquanto a galera euclidense continuava com a mesma vibração, pois sabia que para a segunda etapa o quadro seria alterado e Euclides viria disposta a reverter o placar, fato comprovado no gol de empate marcado por Bambam, que havia substituído a Robinho, que não estava bem na partida e a seleção precisava de mais potência e velocidade no ataque. O experiente técnico José Carijé, sabia que precisava de um time mais agressivo e logo obteve o resultado que todos esperavam com o gol de empate, seguido de mais um gol de Pim, o seu 16º no campeonato, aumentando em oito gols a diferença para o segundo colocado e praticamente assegurando, mais uma vez, o troféu ‘Chuteira de Ouro’.

Em mais um descuido da defensiva euclidense, quando a torcida ainda comemorava o gol, numa jogada de contra-ataque, Itapetinga chegou ao seu gol de empate, com Junior Neguinho, que mais uma vez, saiu do banco de reservas para fazer seu segundo gol, em jogo contra Euclides da Cunha. Sem se abalar e com o apoio da torcida que não parava de cantar e aplaudir um só instante, mais uma vez, Bambam, - que saiu do banco de reservas para ganhar merecidos aplausos da torcida - em mais uma jogada de velocidade, ganhou a parada para a melhor zaga do campeonato, e o goleiro Érik, que vinha se destacando pelas grandes defesas praticadas e pela “cera” que fazia, apesar de advertido pelo excelente árbitro Jaílson Macedo, forma comum de fazer o tempo passar e ganhar alguns segundos, arrefecer o ímpeto adversário, etc., coisas do futebol praticadas por jogadores experientes, quando em vantagem no marcador ou o resultado lhes são favoráveis, teve que ir buscar no fundo da rede a segunda bola que mexia no placar alterando para 3X2, em favor do time da casa.

O placar devolveria à Itapetinga, a única derrota sofrida pela seleção euclidense, em todo o campeonato; porém, esse resultado levaria a decisão da vaga para a cobrança de tiros livres diretos da marca do pênalti, situação que muitos que militam no meio esportivo costuma classificar como loteria e, aí, o fator sorte não foi favorável à seleção de melhor desempenho durante todas as etapas de classificação, que a fez alcançar o primeiro lugar na classificação geral do campeonato e assim permaneceu por várias rodadas, até a tarde de domingo (02), quando, na cobrança de tiros livres direto, por infelicidade de seus cobradores, desperdiçou a oportunidade de disputar mais um título, com chances de ser campeã, pela primeira vez, já que ostenta três títulos de vice-campeã, nos últimos dezesseis anos.

Enquanto na segunda arquibancada, a torcida adversária comemorava juntamente com seus atletas e comissão técnica, a merecida classificação que pode leva-la ao terceiro título de campeã de mais um Intermunicipal, pois já ergueu a taça de campeã por duas vezes, na arquibancada da entrada principal, a torcida euclidense retribuía o esforço dos nossos atletas com palmas e mensagens de otimismo, em reconhecimento ao excelente trabalho apresentado que, mais uma vez, confirmou que, nem sempre o melhor é o campeão e que times que chegam em terceiro lugar na classificação para às partidas semifinais, costumam crescer bastante e conquistar o título máximo de campeão.

Agora, é recomeço. É já começar um novo planejamento para 2019, analisando possíveis falhas apresentadas em 2018, corrigindo-as, e lembrar sempre, que time com 100% de grandes jogadores nem sempre apresenta o resultado final que se espera dele.

Uma boa mescla de bons e experientes jogadores com outros mais vigorosos, lutadores, voluntariosos, pode resultar num bom conjunto, com menor investimento financeiro e um resultado final de alegria e conquista do título. Assim a torcida euclidense espera ser a nova seleção euclidense de futebol 2018, para, mais uma vez, não perder nos detalhes, ou seja, ganhar no tempo normal de jogo, mas perder na decisão por cobrança de tiros livres direto (pênaltis).

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