Festa de Santo Reis é comemorada pela comunidade da Nova América

Fotos: José Dilson Pinheiro - euclidesdacunha.com
Resgatada há cerca de 20 anos, pela Associação Comunitária Amigos do Bairro Nova América, pelo então presidente Edmilson Santos, a festa de Santo Reis, outrora tradicionalíssima em todo o Município de Euclides da Cunha, quando nos primeiros seis dias de janeiro cantadores, ritmistas, tocadores de pífano se reuniam para, em grupo, reverenciar o nascimento do Menino Deus e aos três reis magos Gaspar, Baltazar e Belchior que, guiados pela Estrela do Oriente, no dia 6 de janeiro chegaram até o presépio (cabana) onde se encontrava o recém-nascido que havia sido levado pelos seus pais José e Maria, de Belém de Judá para Jerusalém, marcado pelo ódio e da ordem do dissimulado rei Herodes que, fingindo adoração, havia decretado a morte da criança divina anunciada como novo rei da Judéia, obrigando José e Maria fugirem para o Egito levando a criança.
 
Essa e outras versões são contadas das mais diversas formas, além de a bíblica, no Evangelho de Matheus, tornando-se folia associada a uma tradição cristã portuguesa e espanhola que foi trazido para o Brasil no século XIX, pelos portugueses colonizadores. 
O Terno de Reis, como também é conhecido um grupo de folia que entre o dia 14 de dezembro e 06 de janeiro sai de porta em porta cantando e tocando pífano, sanfona, zabumba, caixa, triângulo, e é recepcionado pelos donos da casa com comida, bebida, depois de saudados com o canto em louvor a São José: “Ô de casa, ô de fora/ Maria vai ver quem é/São os cantadores de Reis/São José foi quem mandou/Neste dia de alegria/Mas, depois de tanto tempo/São José também chorou/Quando viu seu filho morto/pregado numa cruz com tanta dor/Abramos a porta, queremos entrar/E não duvidamos de não demorar/Abramos a porta, queremos entrar/estamos aqui para os Reis saudar/Com muita alegria viemos cantar/E nos acompanhe para nos alegrar”.  
 
Formado por um mestre, que inicia toda a cantoria, o grupo também tem um contramestre, os três reis magos, os palhaços, os alfeires e os foliões. No Nordeste brasileiro, nas apresentações do terno de reis costuma-se juntar outros atrativos, entre eles, o Bumba meu boi ou Boi bumbá, dança folclórica popular brasileira, com personagens humanas e animais, que gira em torno de uma lenda sobre a morte e ressurreição de um boi. 
Em Euclides da Cunha, o mestre Justino é um dos cantadores de folia de reis mais procurados e conhecidos. O Jaraguá, personagem de índole má representado por um homem com cabeça de cavalo, que assusta crianças com suas investidas, também é incorporado aos festejos em louvor aos Santos Reis.
 
Neste domingo (06), dezenas de pessoas foram ao bairro Nova América e assistiram a mais uma apresentação cultural do nosso folclore nordestino, no encerramento da tradicional festa do bairro. Muitas famílias compareceram e aplaudiram os personagens que nos proporcionaram momento de lazer, arte e cultura popular. 
A apresentação recebeu elogios de Alfredo Junior, produtor teatral e membro da Casa da Cultura João Siqueira Santos, de Euclides da Cunha, que do palco assistiu mais uma bonita festa de preservação da nossa cultura tradicional.

Publicado em: http://www.euclidesdacunha.comnews/print/id/2290